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Ano internacional planeta Terra
Sábado, 01 Agosto 2009
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Ano do morcego

A propósito do Ano do Morcego (2011-2012), o Ciência 2.0 vai publicar uma série de artigos sobre morcegos. São animais mal-amados e rodeados de mitos. Podem não ser belos aos olhos do público, mas são muito importantes para a biodiversidade.


Em vez de morderem pescoços, como no imaginário antigo que vem das histórias de vampiros, e nos atazanarem os cabelos, os morcegos ocupam-se da caça aos insetos. Comem cerca de metade do peso do seu corpo, por noite. Estas criaturas noturnas são inofensivas e são elas que nos fazem o favor de comer os mosquitos que nos poderiam zumbir nos ouvidos numa noite de verão.

Em Portugal existem 27 espécies destes mamíferos. Todas muito parecidas, mas com particularidades que fazem com que sejam consideradas espécies distintas.

A maioria come insetos. E “onde haja morcegos, há insetos. Podemos ver morcegos em rios, ribeiros, lagos, em zonas florestais e mesmo em zonas urbanas”, explicou ao Ciência 2.0, Jorge Palmeirim, investigador na área de Ecologia e Conservação Biológica de morcegos e aves e docente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Mas também existem espécies com outro tipo de alimentação: frutos, aves, pólen ou sangue. Em Portugal, todas as espécies são insetívoras, exceto uma, que se alimenta de aves migratórias.

Já os que alimentam de sangue são conhecidos por morcegos-vampiros, que representam apenas 3 espécies das 1200 existentes em todo o mundo. “São uma espécie de mosquitos gigantes. Têm uma saliva anticoagulante e dão uma dentadinha pequenina, praticamente indolor e vão lambendo a ferida e bebendo o sangue”, explica o docente. Mas o sangue que bebem não é o suficiente para matar um animal, pois necessitam apenas de ingerir metade do peso do seu corpo.

Não há razões para recearmos um morcego. “Os morcegos nunca atacam ninguém. Antes pelo contrário, fogem como podem”, aponta. E como lidar então com eles, em situações que nos entram pela casa? Se isso acontecer aconselha-se “a abrir as janelas, se o morcego estiver em voo ou, se estiver numa cortina e não sair, tapá-lo com uma caixa ou com uma toalha grossa e colocá-lo na rua, através da janela”.

Como se orientam os morcegos?

Estes animais são os únicos mamíferos voadores e são conhecidos pela sua capacidade de voo. Ao contrário do que possamos vir a pensar, os morcegos não são cegos. Todos os morcegos veem, uns melhor que outros. “Quem dera a muitos de nós ter a visão que eles têm à noite. Muitas das espécies orientam-se única e exclusivamente através da visão”, acrescenta o especialista.

A verdade é que, mais do que o sentido de visão, os morcegos usam a ecolocalização para se orientarem. Esta consiste na emissão de ultrassons. “Emitem os sons e ficam à espera dos ecos, para saberem o que os rodeia”. São de alta frequência e por isso raramente os conseguimos ouvir.

Contudo, o que podemos ouvir ou ver nos céus ao final do dia, ou a voar junto a um candeeiro, onde há luz, calor e alimento, não são aves. São morcegos, que comunicam uns com os outros, através de sons, mas com uma frequência mais baixa. “São sons que usam para defender território, atrair fêmeas, para manter comunicação entre a cria e a mãe”, enumera o docente. Estes são mais fáceis de ouvir.

O “ziguezague” do voo de alguns morcegos não é tontice. É esperteza.

Os morcegos são espécies muito curiosas. Dificilmente são predadas, pois só saem durante a noite e voam rapidamente. Podem, por isso, durar até aos 30 anos.

E os ziguezagues? “Temos ideia que os morcegos têm um voo um bocado tonto, mas o que eles têm é uma capacidade de manobra. Voam em ziguezagues porque veem os insetos e mudam de direção para os apanhar”, conta-nos Jorge Palmeirim.

O docente da UNL estudou recentemente o Morcego-rabudo e verificou que esta espécie pode voar 10 horas sem parar, fazendo cerca de 500 km numa noite de caça.

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